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A saga do SESMT

maio 16, 2017 - ergoplenna

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A saga do SESMT

No início os TSTs faziam de tudo, menos cuidar da saúde e segurança dos trabalhadores

Luis Augusto de Bruin
A oportunidade que me foi oferecida de fazer o registro histórico de parte do que foi a prevenção de acidentes do trabalho em nosso país, num passado não tão recente, tem mexido muito comigo e me deixado particularmente sensibilizado. É difícil, às vezes, até controlar as muitas emoções ao lembrar de tantas passagens e de tantos profissionais, verdadeiros guerreiros da profissão, alguns que até já nos deixaram. Mas continuemos recordando a saga da implementação do SESMT, mais especialmente da admissão do Técnico de Segurança do Trabalho.

DESVIO D E FUNÇÃO
Na primeira parte falei sobre uma das várias artimanhas das quais algumas empresas se utilizavam, logo após a edição das Normas Regulamentadoras, para a contratação dos TSTs. A maior delas era a de colocar anúncio em jornais e dizer aos fiscais do trabalho (agora auditores fiscais) que ninguém havia comparecido para preencher a vaga.
Bem, vendo que isso não dava resultado e que efetivamente se fazia necessário o cumprimento da lei, as companhias, torno a ressaltar que não acontecia com todas, acabavam empregando o profissional. Para poder controlar a sua atividade, e também para não dizer que a contratação tinha sido a contragosto, a pessoa era colocada num espaço vago da fábrica – principalmente debaixo da escada – e era lhe dada à ordem para que lá ficasse e só saísse se fosse absolutamente imprescindível, de preferência para ir buscar um medicamento para a dor de cabeça de algum colaborador que se sentisse mal na fábrica. Caso alguém cometesse “o desatino” de ir exercer o que tinha aprendido na escola e apresentasse as não conformidades em saúde
e segurança da empresa para a sua direção, era sumariamente dispensado.

Isso para dizer o de menos. Lembro de dois acontecimentos, para mim históricos por ter vivido pessoalmente, que merecem ser contados de forma especial para àqueles que já encontraram o caminho aplainado e ainda ficam reclamando das dificuldades da profissão. O primeiro episódio aconteceu na região do Vale do Paraíba, em São Paulo. Começo dos anos 80. Uma grande fábrica com uma enorme área verde. Antes de chegar na portaria da empresa, ao deixar o carro no estacionamento, observo um cidadão pilotando um daqueles pequenos tratores para o corte da vegetação. Ao me apresentar ao vigilante de plantão, lhe disse que gostaria de conversar com o, na época, supervisor de Segurança do Trabalho. Nesse instante, o individuo sai da guarita e grita “Fulano (para o operador do cortador de grama), tem visita para você”.

FUTURO PROMISSOR
O outro registro, mais ou menos na mesma ocasião, também inusitado e não menos constrangedor, aconteceu numa indústria metalurgica situada no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, capital. Havia marcado uma visita com o profissional do SESMT. Ao me apresentar na recepção da companhia, a senhorita faz um contato telefônico para procurar a pessoa indicada. Ao desligar disse: “Por favor, aguarde alguns minutos, pois o seu fulano foi levar o carro do dono da empresa para lavar e já volta”.

Estas distorções, aberrações, absurdos ou do que mais quisermos chamar faziam parte do cotidiano do supervisor de segurança. Ai daqueles que não se sujeitassem a obedecer ao que lhes era determinado. Numa época em que campeava mais uma das inúmeras crises econômicas vividas pelo país, a manutenção do emprego era uma questão de sobrevivência. O resultado disso foi a desilusão profissional, a perda de talentos, a desvalorização da categoria. Ainda bem que esse passado foi resgatado e caminha para um futuro mais promissor, mas a continuação dessa historia segue na próxima edição.

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