(19)3543-1900 * (19)992198644

contato@ergoplenna.com.br

ERGONOMIA

INTRODUÇÃO À ERGONOMIA


A ergonomia resultou do trabalho interdisciplinar realizado por diversos profissionais tais como, fisiologistas, psicólogos e engenheiros, durante a Segunda Guerra Mundial e logo após o término mais precisamente dia 12 de junho de 1949 foi oficializada como uma nova disciplina científica. Nesse dia, reuniu-se pela primeira vez na Inglaterra, um grupo de cientistas e pesquisadores interessados em discutir e formalizar a existência desse novo ramo de aplicação interdisciplinar da ciência. Na segunda reunião desse mesmo grupo em 16 de fevereiro de 1050,foi proposta a adoção do neologismo Ergonomics, formado pelos termos gregos ergon (trabalho) e nomos ( regras, leis naturais).Esse termo foi adotado na fundação da Ergonomics Research Society (ERS) em 1950, que mudou seu nome para Institute of Ergonomics &Human Factors(IEHF) em 2009.
O termo ergonomia já tinha sido anteriormente usado em 1857 pelo polonês Wojciesch Jastrzebowski, que publicou o artigo ´´Ensaios de ergonomia ou ciência do trabalho, baseada nas leis objetivas das ciências sobre a natureza´´.
Existem várias definições de ergonomia, no Brasil a ABERGO ( Associação Brasileira de Ergonomia) adota a definição aprovada em 2000 pela associação Internacional de Ergonomia (International Ergonomics Association -IEA): Ergonomia (ou Fatores Humanos) é a disciplina científica que estuda as interações entre os seres humanos e outros elementos do sistema de trabalho, aplicando os princípios teóricos, dados e métodos, a fim de realizar projetos para otimizar o bem estar humano e o desempenho geral desse sistema.

OBJETIVOS
A ergonomia estuda os diversos fatores que influem no desempenho do sistema produtivo e procura reduzir as consequências nocivas sobre o trabalhador, como a fadiga, estresse e erros, como consequência acidentes, e dessa forma resultando em saúde, segurança, satisfação aos trabalhadores durante essa interação produtiva. A eficiência virá como consequência. Em geral, não se aceita colocar a eficiência como objetivo principal da ergonomia, porque ela isoladamente, poderia justificar a adoção de práticas que levem ao aumento dos riscos, além do sacrifício e sofrimento dos trabalhadores. Isso seria inaceitável, porque a ergonomia prioriza: preservar a saúde e segurança; satisfação; e eficiência e produtividade dos trabalhadores.

Saúde e segurança
A saúde e a segurança do trabalhador são preservadas quando as exigências do trabalho e do ambiente estiverem dentro das capacidades e limitações desse trabalhador, sem ultrapassar alguns limites fisiológicos e cognitivos, de modo a evitar as situações de estresse, fadiga, riscos de acidentes e de doenças ocupacionais.

Satisfação
A satisfação é o resultado do atendimento das necessidades e expectativas do trabalhador, produzindo uma sensação de bem-estar e conforto. Isso envolve também facilidade de aprendizagem, crescimento pessoal e profissional do trabalhador, ambientes físico e social saudáveis e uma remuneração justa. Os trabalhadores satisfeitos tendem a adotar comportamentos mais seguros e são mais produtivos que aqueles que não os são.

Eficiência e produtividade
A eficiência e produtividade medem os resultados obtidos, em comparação com os recursos empregados e uso do tempo. Elas resultam de um bom planejamento, organização do trabalho, da tecnologia e do conhecimento disponível para os trabalhadores, bem como da sua capacitação, de forma a proporcionar-lhes saúde, segurança e satisfação. A produtividade deve ser colocada dentro de certos limites, pois o seu aumento indiscriminado pode implicar em prejuízos à saúde, segurança e satisfação.

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ERGONOMIA
Desde a sua origem, na década de 1950, a ergonomia passou a realizar estudos cada vez mais abrangentes sobre o trabalho humano, deixou de abranger somente o chão de fábrica e passou a abranger problemas mais amplos, em níveis gerenciais.
Fase 1- 1950 a 1960 – Ergonomia Física
A fase 1 foi na época de sua fundação em 1950 e das primeiras pesquisas que se restringiam ao binômio ( sistema homem-máquina ).
Antes e durante a Segunda Guerra Mundial , e até 1950, os percursores da ergonomia, estavam preocupados em melhorar o relacionamento entre o ser humano e a máquina, tornando os mostradores mais visíveis e os botões|(Knobs) mais fáceis de operar. Além disso, como consequência de desenvolvimento da área da fisiologia do trabalho, preocupavam-se em reduzir a carga física do trabalho e os fatores de sobrecarga fisiológica, como temperatura ambiental e ruídos. Esses especialistas não faziam parte da equipe de projeto de produto, atuavam como consultores ad hoc, eram chamados somente para solucionar problemas específicos quando ocorriam graves incidentes. Isso acontecia quando os projetistas das máquinas constatavam alguma dificuldade de operação, ou quando ocorria algum fato emergencial, provocando altos índices de erros e acidentes.
Fase 2 – 1970 – Ergonomia de sistemas físicos
A fase 2 ocorreu principalmente durante a década de 1970, cuja característica foi o alargamento da visão da ergonomia. Diversos aspectos de projeto, que eram resolvidos apenas técnicamente, foram identificados como fonte de problemas ergonômicos, e que, portanto, deveriam merecer análises mais cautelosas. Foram incorporados nos estudos as variáveis do meio ambiente (iluminação, temperatura, ruído) como componentes do sistema homem-máquina-ambiente.
Ao mesmo tempo, os especialistas em ergonomia sentiram falta de conhecimentos sobre o desenvolvimento de sistemas complexos de trabalho. Sua consequência foi o surgimento de diversas teorias e modelos, sobre o conceito de sistema e metodologias de desenvolvimento dos produtos. Dessa forma as variáveis do desempenho humano foram incluídas gradativamente num contexto mais amplo de análise, vinculando-as com a função do sistema a ser desenvolvido. Portanto, não se tratava mais de melhorar apenas os controles e mostradores, mas saber qual era a função do ser humano nesse sistema, dessa forma a ergonomia desenvolveu uma metodologia para atuar no desenvolvimento de sistemas, construindo um modelo de sistema humano-máquina-ambiente. Esse sistema era visto quase sempre como uma unidade isolada de produção, como um posto de trabalho não integrado.
Fase 3- 1980- Ergonomia Cognitiva
A partir da década de 1980 com o crescente uso da informática, foram introduzidos postos de trabalhos informatizados e máquinas programáveis em todos os setores de atividades humanas e isso ampliou novos desafios à ergonomia. Esses desafios estavam relacionados com os aspectos cognitivos do trabalho (tomada de decisões, processamento de informações, percepções).
Com o aumento do uso de computadores, robôs, máquinas automatizadas, o homem passou a programar essas máquinas transferindo os esforços físicos pesados e repetitivos para as máquinas. Essa fase marca a mudança da ergonomia física para a cognitiva. A introdução da internet foi a grande responsável por essa transformação do trabalho humano, permitindo maior agilidade e melhor qualidade, além disso essas informações podem ser recebidas ou enviadas com grande rapidez e praticamente para todos os lugares no mundo.
Muitas pesquisas na área de ergonomia foram realizadas para a introdução de novas máquinas informatizadas, principalmente sobre apresentação e percepção de informações, memória e tomada de decisões.
Fase 4 – 1990 até nosso dias – Ergonomia organizacional ou macroergonomia
A ergonomia com seu crescente reconhecimento e importância principalmente à partir da década de 1970 ,passou a figurar ,cada vez mais formalmente, no organograma das empresas e seu escopo ampliou-se, passando a incorporar aspectos organizacionais(trabalho em grupo, organização da produção) e gerenciais do trabalho, dessa forma a ergonomia passou de esporádica e ocasional para permanente e integrada ao sistema produtivo.
Os especialistas em ergonomia passaram a trabalhar em equipe, integrando-se aos demais especialistas e participando da concepção e projeto de novos sistemas. A contribuição da ergonomia deixou de ser superficial, influenciando na especificação dos sistemas e na definição de sua configuração geral.
A ergonomia nessa fase passou a estudar o desenvolvimento e aplicação da tecnologia da interface humano-máquina-ambiente em nível macro, ou seja, a ergonomia integrada no contexto do projeto e gerência de toda a organização. A macroergonomia utiliza-se do conceito de sistema sociotécnico que leva em consideração as características sócio-culturais e tecnológicas do sistema, visando um equilíbrio entre o desempenho do sistema e o bem-estar dos trabalhadores, essa visão que a ergonomia atua até nossos dias.

APLICAÇÕES DA ERGONOMIA
A ergonomia pode dar várias contribuições para melhorar as situações de trabalho. Em empresas, estas podem variar, conforme o nível em que ocorrem. Em alguns casos, são bastante abrangentes, envolvendo a participação dos diversos escalões administrativos e vários profissionais dessas empresas.
Os resultados podem ser alcançados de forma mais rápida sob a coordenação de um especialista em ergonomia. Ele sabe quando e por que deve ser convocado cada um desses profissionais para resolver os problemas. O apoio da direção torna-se imprescindível para facilitar, apoiar ou exigir até o envolvimento de todos esses profissionais na solução de problemas ergonômicos.
A forma mais acertada de fazer isso é com a realização de reuniões periódicas, de curta duração, com esses profissionais, para discutir conceitos, apresentar resultados e mantê-los informados sobre a dos trabalhos.
As aplicações da ergonomia, de acordo com a ocasião em que são feitas, classificam-se em concepção, conscientização e participação.
A ergonomia de concepção ocorre quando se aplica durante o projeto do produto, da máquina, ambiente ou sistema. Esse é o melhor momento para a aplicação da ergonomia, no entanto, precisa de cuidados e conhecimentos profundos porque as decisões são tomadas com base em situações hipotéticas sobre o sistema que ainda não existe, mas com riscos menores por ter sido estudado e aplicado critérios ergonômicos.
A ergonomia de correção ocorre em situações reais, já existentes, para resolver problemas que se refletem na segurança, fadiga excessiva, doenças do trabalhador ou quantidade e qualidade da produção. Sua atuação é mais fácil porque já se sabe quais os problemas que se tem para resolver, porém as vezes os custos serão mais elevados ou não satisfatórios.
A ergonomia de conscientização é aplicada para capacitar os trabalhadores para que eles próprios saibam identificar e corrigir os problemas do dia a dia ou aqueles emergenciais, seria como uma complementação na aplicação da ergonomia de concepção ou de correção, que muitas vezes não são completamente solucionados. A conscientização geralmente é feita por meio de cursos de treinamentos e frequentes reciclagens, ensinado o trabalhador operar de forma segura, reconhecendo os fatores de risco que podem surgir no ambiente de trabalho.
A ergonomia de participação procura envolver o próprio usuário do sistema na solução de problemas ergonômicos. Enquanto a ergonomia de conscientização procura manter os trabalhadores informados, a de participação os envolve de forma mais ativa, na busca da solução para o problema, fazendo a realimentação de informações para as fases de conscientização, correção e concepção.
Portanto, a ergonomia estuda tanto as condições prévias como as consequências do trabalho e as interações que ocorrem entre o ser humano, máquina e ambiente durante a realização desse trabalho, analisado de acordo com a conceituação de sistema onde seus elementos interagem continuamente entre si.

Fonte: Ergonomia Projeto e produção
3°edição- Itiro Iida